quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Saudade


     E a canção em si
     Diz tudo aquilo que a saudade me fez sentir
     Doeu, queimou,
     Deixou cicratiz em mim
     E de repente amanheceu
     Ao simples toque
     Tudo se apagou
     E novamente,
     Um ou dois dias depois,
     Tudo voltou.

                  (Diogo Sanches)


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Com linha e anzol

     Às vezes, quando digo que estou feliz, sinto que alguém me olha torto de longe, como se não me quisesse assim. E, de repente, me arranca tudo pela boca com um pedaço de linha e anzol. Puxa com força e rápido, não tem como reagir. Quem dá o direito das pessoas entrarem em nossas vidas dessa forma?


     *Não é sobre ninguém especifico, é somente algo sobre o qual senti necessidade de escrever.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Limites

     Onde estão escritos os limites do ser humano? De fato existe uma regra, e cada um a interpreta do jeito que convém. Como na religião, cada pessoa tem um ponto de vista diferente, mesmo que parecidos não são os mesmos. Certo e errado. Bom e ruim. Sempre vai ter um lado ganhando e o outro perdendo. O mais engraçado é quando você está dos dois lados. Até onde planejar os seus passos é saudável? Até onde sonhar é bom? Até onde ter esperanças de um bom futuro é certo? Não se sabe. Mesmo cada um tendo a regra de seus limites, ninguém sabe dozar. Você não sabe o ponto certo em que deve parar de escrever seu futuro para viver o seu presente. Não há borracha para apagar o passado e tudo o que planejou é passado, sendo concreto ou não, é. Só queria entender melhor até onde posso ser um personagem da minha própria história ou viver a realidade do momento presente.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vulnerabilidade

Eu não confio em mim. Sinceramente, eu nunca confiei em mim de verdade. Talvez eu possa ter enganado muito bem quando passei segurança. Essa segurança... Ela não existe. Eu nunca me abri de verdade. É dificil se abrir de verdade, inteiramente, para alguém quando tudo, exatamente tudo em sua vida sempre se vai. Eu cresci assim. Eu sou assim. Não sei explicar exatamente de onde veio tanta falta de confiança, ou de onde tenha vindo todo esse medo de certas coisas. Só sei que existem. E fazem com que todos os dias eu sinta vontade de chorar...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Anestesiado

     Nem toda anestesia que tomo faz com que a dor passe. O ódio faz parte das pessoas que convivem comigo e o medo nos faz correr da própria sombra, ou de pessoas estranhas, de repente, como em um flash ele surge e corremos. Mas as vezes pego a foto que tenho de quando era mais novo, a 12 anos atrás. Lembro da minha infancia, de ter 6 anos e todos ao redor estavam sempre sorrindo. Isso passou. O tempo passou. Na verdade, acho que nem foi tanto tempo assim. Creio que a vida não é muito longa. Outro dia eu tinha 8 anos, hoje eu tenho 16. E minha vida rodou, rodou, rodou e nunca parou. Como uma bola de neve rolando pela mais alta montanha congelada, todas as coisas ruins pioravam quando meu mundo rodava. E junto eu girei, girei, girei, até que pirei. Me perdi. Em uma noite não sabia mais voltar para casa. Não por não saber o caminho, mas por não saber onde estava. Poderia estar junto dos meus pais, que me magoaram e me fizeram infeliz. Ou poderia estar com os meus novos amigos que me anestesiaram e me deram uma saida tranquila. Mas isso foi só o começo. Depois de me decidir onde seria meu lar, tudo piorou ainda mais. Eu não tinha dinheiro, nem roupas. Eu não tinha saúde, amor, ou qualquer outra coisa. Até hoje o que tenho são cicatrizes, marcas, manchas, poucas trocas de roupa velha, uma foto e droga por todos os cantos. Tudo mudou. A vida foi longa demais, intensa demais. A vida foi curta. Ela durou muito em muito pouco tempo. Ela fugiu do controle. Lembro quando tudo isso começou a uns 2 anos. Me lembro de escutar o não dos meus pais. Lembro de escutar o não dos meus antigos amigos. Lembro de escutar o não da sociedade que não me aceitava. Mas também lembro quem me acolheu. Lembro das camas por onde passei em troca de dinheiro. Lembro das pessoas que me levaram para o apartamento onde moro. Lembro de tudo que se passou desde aquele dia. Lembro da minha vida. Mas passa. Agora passa como um flash. A anestesia que me faz lembrar sem querer morrer, não faz tanto efeito como antes. Meus pulsos estão com muitas cicatrizes. Meu corpo já foi esmurrado muitas vezes. Cansei. Canse de sofrer. Cansei de me drogar. Cansei de anestesias. Cansei. Simplesmente cansei. E é por estar tão cansado que talvez minhas asas não funcionem e eu morra esmagado no chão depois da minha ultima anestesia. Adeus mundo humano, vou voar livre de tudo e todos.

Entre poemas e canções

     Muitas vezes nem se passa pela cabeça das pessoas o quanto dói escrever certas coisas. E eu até entendo um pouco disso. O Brasil é um país onde se custa aprender a ler, imagina então a ler com o coração. Certas vezes te alivia escrever sobre os sofrimentos, sobre as angustias, sobre as coisas ruins do dia a dia. Mas isso nem sempre vem do fundo do coração. Quando se remexe em brasas, o fogo levanta e logo se expande. É difícil escrever sobre coisas fortes, até porque poucos vão te entender. Pessoas pegam um poema, olham, lêem de novo e por fim não tiram tantas conclusões, não enchergam o filme que ali se passa, a história em si de todo aquele sofrimento interno. Acho que por esse motivo deixei de escrever tanto sobre a minha pessoa, a minha pessoa interna, que tão poucos conhecem. Por trás de todo tipo de literatura emotiva existe uma história, seja ela clara ou oculta. Aprenda a ler mais do que com seus olhos. Aprenda a ler com a alma, com o coração. Aprenda a sentir cada frase, cada palavra, cada minuscula letra que se passa pelo seu cérebro. Sinta e saberá ver o mais intenso da vida e de dentro de si.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mundo Real

     O mundo real não é, nem nunca foi o meu lugar. Eu sempre fui tão sonhador, ainda sou. Sei o momento certo de sonhar, mas isso não quer dizer que eu nunca me pegue sonhando no momento errado. Gosto de sonhar. Gosto dos pesadelos e gosto das minhas bobas ilusões. Gosto de sonhar com o futuro, com o passado. Fecho os olhos e ali está o meu domínio. Vejo o que quero. Vivo tudo que desejo. Sempre ali, sentado ou deitado, na cama, no sofá, enquanto tomo banho. Tudo é tão mágico quando fecho os olhos, mas a realidade é dura demais as vezes. Quando fechamos os olhos, somos atingidos. Faz tempo que não sonho em paz.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

À instabilidade das cousas no mundo

"Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol e na luz, falta a firmeza,
Na formosura não se crê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância."


                                  Gregório de Mattos


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Amigo de verdade

Vejo tantas coisas no decorrer dos dias, dos meses, dos anos. E, quase que todos os dias, eu penso no quanto as pessoas reclamam, ou falam mal de seus supostos amigos. Há sempre cobranças, insatisfações, intrigas. Raramente uma amizade nos dias de hoje é pura, inocente, muito menos vem de dentro do peito. Um dia eu encontrei alguém. Em poucos dias encontrei um refugio. E então, desde o primeiro dia, sei que tenho para onde correr quando tudo desaba. Ele vai estar sempre lá, no seu lugar. Poderei contar sobre os dias em que sorri e também dos dias em que chorei. Tenho a certeza de que ele me atenderá se eu ligar desesperado. Ele estará sempre ali. Ele me disse que estaria. E sempre esteve até o dia de hoje. É um amor incondicional. Não há razão, muito menos palavras para descrever. Não é por base de troca, não é por interesse. É por amor. Um amor que talvez não existisse hoje sem um dedinho do destino, ou quem sabe de Deus. É um amigo. Um amigo do qual eu nunca esquecerei. Um amigo que mesmo ausente, estará presente se eu quiser. E não é reciproco. Não cobramos nada um do outro, fazemos, ou falamos, o que vem de dentro, o que é para ser dito. A gente ama sem culpa. Ama por amar. Só é triste o fato de eu nunca ter tido a oportunidade de dar um abraço, fazer um carinho e dizer: "Estou aqui. Finalmente, estou aqui".