De repente, é como se eu nunca tivesse parado. A sensação não mudou em nada, continuo vendo tudo desfigurado e escutando os gritos de dor na minha cabeça. Eu sorrio. Apenas por ser prazeroso pra mim viver tão a beira da morte. Caminho como se entendesse para onde vou. Não vejo faces, apenas vultos a frente. Não escuto vozes, apenas grunidos desconhecidos do além. Vejo luzes e sombras, anjos e demonios. Eu sorrio. Talvez por saber tão pouco sobre o mundo, mas ao mesmo tempo ver que outros sabem muito menos sobre si mesmos. Sorrio e as vezes gargalho alto demais. Os pássaros elevam seus miseros corpos para o céu, os peixes saltam elegantemente sobre as águas e os humanos apenas caminham como zumbis. Mas eu não vejo nada, só sombras e luz. Vejo também vermelho, sangue. Ele está escorrendo por toda parte. Dos meus pulsos, do meu peito, da sua vida. Eu sorrio e enfrento a morte cara a cara. Talvez ela me respeite por ser tão corajoso, ou apenas por eu ser louco o suficiente para fazer isso dessa forma. Eu sorrio, mas logo o efeito passa e começa tudo outra vez.
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