quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Carta de despedida

        Dizem que ao morrer, sua vida passa diante dos seus olhos. É o que se diz. Os momentos bons e ruins são lembrados e eternizados em sua alma. Voltando ou não, aquilo vai morrer. Faça valer a pena. Um segundo, um minuto, um mês. Não importa. Apenas faça. Eu mal tenho 19 anos e minha vida se resume a não tentar. Na verdade, tentei. Tentei. Tentei me matar. Tentei ferir. Tentei encher o mundo de ódio. Mas não foi por mal. Não apontei laminas no pescoço e pulsos por saber o que estava fazendo. Mas algumas coisas me salvaram. Algumas pessoas na verdade. Na verdade, sabe do que eu vou me lembrar quando morrer? Que eu fui, literalmente, muito “filho da puta”. Muito mesmo. Porém não se resumirá a isso. Vai se resumir a algumas pessoas como Thais Cunha, Natália Nóbrega, Caio Nunes. Vão se resumir a pessoas que passarão e, assim como eles, me tirarão de onde eu me encontrarei. Vão alegrar meus dias, vão me apoiar e vão me dar um belo tapa na cara quando for preciso. Eu precisei do amor de vocês. Eu precisei do apoio de vocês. Eu precisei das broncas de vocês. Eu precisei e preciso. Eu precisei e vou continuar precisando. Vocês podem não estar mais ao meu lado como estiveram um dia, mas estão marcados. Os momentos que passarão diante dos meus olhos se resumirão também a Danilo. Se resumirão a Maria, Letícia, Guilherme. Vão se resumir a minha mãe. Vocês estiveram ao meu lado quando eu precisei. Vocês deram a mão quando a vida me puxava de volta para o buraco. Vocês me fizeram rir e me fizeram bem. Eu citei alguns nomes, mas existem outros. Vocês farão parte da minha carta de despedida. Vocês todos vão voar no vento junto com as cinzas e as lembranças.

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